Diante do Pai dos Dragões
Um rei anão chega sozinho à Ilha dos Dragões em busca de respostas. Diante dele, até as criaturas mais temidas se calam.
A cabeça de Orgoron baixou-se, lenta, até ficar diante dele — ainda assim erguida muito acima de sua altura, os olhos maiores que um escudo de guerra, vermelhos como brasas sob a noite.
Quando falou, a voz não foi um rugido.
Foi algo pior: calma.
— Um rei — disse Orgoron, e a palavra pareceu rolar pela garganta antes de sair, como uma pedra que desce um poço muito fundo. — Vieste sozinho. Isso é coragem, ou é o medo que finalmente encontrou coragem para se vestir de outra coisa?
— Vim porque um rei não deveria mandar seu povo enfrentar aquilo que ele mesmo teme confrontar — respondeu Brorkan. Não gritou. Não afastou os olhos.
— E confrontas o medo, então.
— Confronto o que preciso confrontar.
Algo na voz de Orgoron mudou — não suavizou, mas se demorou, como se aquilo o divertisse de um modo antigo e cansado.
— Vieste negociar.
Não era pergunta.
— Antes, quero saber diante de quem estou.
Os olhos vermelhos permaneceram sobre Brorkan. Por um instante, Orgoron nada disse. Então ergueu lentamente a cabeça, e até os dragões prostrados ao redor pareceram encolher diante dele.
— Eu sou aquele em quem o fogo habita. Aquele cujo abrir das asas faz estremecer as águas. Sou o pai daqueles que se curvam diante de ti e a ruína dos povos que julgarem poder enfrentá-los.
A voz aprofundou-se, e o chão pareceu recebê-la antes mesmo que o ar.
— Eu sou Orgoron.
O nome veio por último. Não como apresentação, mas como sentença.
O INÍCIO DOS TEMPOS · PÁGINAS 209–210